Hoje, quem passeia pelas alamedas arborizadas do Centro Histórico de Cáceres ou contempla o pôr do sol avermelhado às margens do Rio Paraguai vê uma cidade acolhedora, vibrante e repleta de vida.
Mas para que a conhecida “Princesinha do Paraguai” existisse, foi necessária uma verdadeira saga de coragem, estratégia militar e visão geopolítica em pleno século XVIII.
A Fundação de Cáceres de Vila Maria à Princesinha do Paraguai, a fascinante história da fundação de Cáceres e a saga dos bandeirantes, tropeiros e governadores que desbravaram o interior do Brasil.
A história da criação de Cáceres é a história da própria consolidação do território brasileiro.
É o retrato de como desbravadores, bandeirantes e governadores corajosos fincaram a bandeira portuguesa no coração da América do Sul para garantir que esta terra continuasse sendo nossa.
A Saga dos Desbravadores: A Marcha Para o Oeste
Muito antes de existir qualquer povoado na região, o interior do continente sul-americano era um imenso mapa em branco para a Coroa Portuguesa.
No século XVII e início do XVIII, destemidas expedições de bandeirantes e tropeiros subiam os rios e enfrentavam as matas fechadas em busca de ouro, pedras preciosas e novas rotas de navegação.
Esses homens abriram os caminhos do bioma pantaneiro e perceberam rapidamente o valor incalculável do Rio Paraguai: quem dominasse suas águas dominaria a principal autoestrada natural do continente, que ligava o interior do Brasil diretamente à Bacia do Prata e ao Oceano Atlântico.
6 de Outubro de 1778: Um Escudo Contra o Avanço Espanhol
Em meados do século XVIII, a disputa entre as coroas de Portugal e Espanha pelas fronteiras da América do Sul estava em seu ponto mais crítico.
Os espanhóis, avançando a partir de suas missões e territórios na Bolívia e no Paraguai, ameaçavam tomar o controle dos rios e das ricas minas de ouro de Mato Grosso.
Foi para conter essa ameaça que o então Governador e Capitão-General da Capitania de Mato Grosso, o fidalgo português Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres, tomou uma decisão audaciosa.
No dia 6 de outubro de 1778, em uma posição altamente estratégica às margens do Rio Paraguai, Luís de Albuquerque fundou oficialmente a Povoação de Vila Maria do Paraguay.
Os objetivos dessa fundação eram claros e urgentes:
Defesa Territorial: Criar um posto avançado de vigilância para impedir a invasão e o avanço militar dos espanhóis no território mato-grossense.
Soberania Fluvial: Garantir o domínio português sobre a rota de navegação do Rio Paraguai, assegurando a chegada de suprimentos, armas e povoadores.
Povoamento e Agricultura: Fixar famílias, criar gado e desenvolver lavouras para abastecer os fortes e vilas da região, transformando o local em um polo autossuficiente.
“Criar uma vila nesta fronteira não era apenas erguer casas de pau-a-pique e pedra; era erguer um escudo humano para proteger a soberania do Brasil colonial.”
Da Origem do Nome à Herança Colonial: Por Que “Cáceres”?
Para quem nasce na cidade hoje ou para o turista que a visita pela primeira vez, entender a transição dos nomes revela o respeito da população pela sua história:
Vila Maria do Paraguay: O nome original foi uma homenagem direta à rainha de Portugal na época, Dona Maria I (conhecida mais tarde como “A Piedosa”). O complemento “do Paraguay” identificava sua localização estratégica às margens do grande rio.
Cáceres: Décadas mais tarde, já no período republicano e imperial, o município mudou de nome para homenagear seu verdadeiro fundador e idealizador, Luís de Albuquerque de Mello Pereira e Cáceres.
Princesinha do Paraguai: O carinhoso apelido que a cidade carrega até hoje nasceu da sua imponência, beleza e posição de destaque cultural e comercial ao longo de toda a calha do Rio Paraguai.
A Herança que Você Pode Ver e Sentir Hoje
A semente plantada em 1778 floresceu e transformou Cáceres em um dos maiores patrimônios históricos e culturais de Mato Grosso.
A herança colonial não está apenas nos livros de história, mas viva nas ruas da cidade.
Ao visitar Cáceres, moradores e turistas podem vivenciar esse passado em marcos como:
O Marco do Jauru: Monumento histórico de mármore trazido de Lisboa e erguido para selar os limites territoriais entre os impérios de Portugal e Espanha.
O Centro Histórico: Onde o traçado das ruas, as praças e os casarões coloniais preservam a memória dos séculos XVIII e XIX.
A Rota Fluvial: O mesmo Rio Paraguai desafiado pelos navegadores setecentistas continua sendo o endereço das grandes aventuras, do ecoturismo e da pesca esportiva mundial.
Conhecer a fundação de Cáceres é compreender que cada trecho dessa terra foi conquistado com determinação.
Uma cidade nascida da bravura de homens que olharam para a imensidão do Pantanal e enxergaram o futuro do Brasil!










